Ir para a faculdade aos 30…
16 Setembro 2010
… é pedir para nos foderem o juízo, não é?
chove no meu colete de forças
9 Fevereiro 2010
ontem
Estou no escritório a estudar, com a persiana aberta como tu não gostas. Mas chove muito e não está ninguém lá fora. Ouvi a chuva, distraí-me e olhei. Está tão escuro lá fora. Algumas luzes da rua estão apagadas e não há luzes nas janelas. Ao contrário de mim, toda a gente tem as persianas fechadas. Está escuro na nossa rua. E chove. E eu sinto ainda mais saudades tuas porque estás tão longe e aqui está tão escuro.
Vou fazer o jantar. Quero acabar o estudo para poder relaxar. Amanhã é cedo, muito cedo, escuro ainda e já estarei a sentar-me para começar o exame. Vai correr bem, parece-me. E depois só ficam a faltar dois dias para te ver.
hoje
Estou cansada. Hoje na viagem para casa choveu como não me lembro de ter visto chover antes. Vim o caminho muito devagar, com todo o cuidado, medo dos lençóis de água. E lá fora a chuva continua, incansável. Nos poucos minutos em que parou o céu estava tão pesado que parecia que ia rebentar, deixando adivinhar toda a água que ainda tinha para deitar cá para fora.
Correu mal. Estou em baixo. Desanimada. Faltas-me tu, para me dizeres que sou uma tonta, que uma ou duas notas más não fazem de mim uma má médica em potência. Porque neste momento – e apesar de racionalmente reconhecer que de pouco me servirão a física e a matemática nos corredores do hospital – é assim que me sei: mau futuro, sem talento. E nada merecedora desta imensa oportunidade que é largar tudo, não trabalhar e, caprichosamente, aprender.
Não me ligaste. Presumo que já estejas a jantar, porque já são quase nove aí. Mas não me ligaste. E eu tenho saudades tuas e penso que te esqueceste de mim. Não te esqueças de mim, nem por um bocadinho. Não deixes de me ligar mesmo quando não tens tempo. Porque 20 segundos são o melhor abraço à distância que eu não posso sentir.
miss you like a crazy, mad man in a straitjacket.
Auschwitz
27 Janeiro 2010
Faz hoje 65 anos que o campo de concentração e extermínio foi libertado.
E apesar de estar ainda tão perto, de ser ainda quase palpável, foi ontem, quase nada, há quem se queixe da chatice que é ouvir falar do Holocausto repetidamente, em todo o lado, como se falasse desta nova praga de vampiros que se insinua e nos ataca em todas as frentes. É gente, senhores, era gente.
É preciso não esquecer. Ensinar aos que ainda vêm o que foi. Porque those who forget the past are condemned to repeat it (George Santayana).

Para saber mais, ler o excelente post de Irene Pimentel, aqui.
dois palmos de cérebro
26 Janeiro 2010
Às vezes parece-me que estamos num tempo em que a modéstia e o recato (que palavra tão do tempo da maria cachucha, mas eu gosto, façam-me lá a vontade) são defeitos e não qualidades. A blogosfera é o mundo do tudo à mostra e se este tudo não é real não faz mal, afinal é aqui que podemos fazer de conta que somos lindas maravilhosas e boas, com um rabo capaz de fazer saltar caricas e ainda por cima um cérebro tipo cereja no topo do bolo. Não interessa nada se o cérebro tem falta de uso, o que interessa é afirmarmo-nos seres pensantes e inteligentes, mas boas que de gajas espertas e feias está o mundo cheio.
Eu acho que é publicidade daquela de atrair clientela errada. Assim ao nível de uma Ana Malhoa na capa da Playboy. Porque quem tem, realmente, vá, cérebro, não vai ler um blog e gostar muito muito muito porque o autor é giro e bom. Ou há conteúdo ou não há pachorra.
Às vezes há conteúdo e o autor é um borracho (Alfaiate Lisboeta, rapaz, esse capote…). Mas se não fosse continuava a saber escrever, a ser interessante, e era por isso que lá voltávamos. Os outros atractivos têm prazo de validade na nossa paciência. Ou pelo menos na minha, que além de gira, boa e extremamente inteligente, sou muito selectiva.
(inspirado por ela e por ela)
purple mood
25 Janeiro 2010
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All your sanity and wits they will all vanish, I promise
it’s just a matter of time…
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melodrama da época de exames
22 Janeiro 2010
apercebo-me por estas semanas que o meu corpo já não navega uma época de exames como dantes. noitadas de estudo levam a noites mal dormidas e a sonos trocados. a cozinha está parada e tenho o congelador cheio de coisas fáceis, porque não há tempo nem paciência para cozinhar e já não tenho mãe que me alimente. organizo-me mal, levanto-me e sento-me e levanto-me e sento-me muitas e muitas vezes. bebo água, trinco a caneta, só me apetece atirar tudo ao ar e que se lixe, um 10 também é uma nota e ao menos fica a coisa feita.
neste momento atravesso as agruras de um livro de 1200 páginas, que se não é para saber todo de cor pouco lhe falta. o papel é daqueles lustrosos que não aceitam notas a lápis e eu nunca gostei de riscar os livros a caneta. odeio livros de papel lustroso. leio cinco páginas e canso-me. desespero. sopro. levanto-me outra vez. se calhar escrever qualquer coisinha, sempre são 5, 10 minutos de pausa do trambolho.
penso que se calhar não tenho vida para isto. que já foi, já dei, já passou e siga mas é para bingo que desta linha já não há prémio. se isto vai assim na primeira época de exames, supostamente a mais fácil, que futuro que dores que rugas me trarão as próximas?
ten fingers and ten toes
18 Janeiro 2010
ainda não foste. estás aí, perto, à distância de uma mão de quilómetros. à espera. tu à espera de partir, eu à espera do teu regresso. viver a dois não devia ser feito de noites após noites em que durmo atravessada na cama. em que uso as duas almofadas e tenho espaço de sobra. o aperto é mais desconfortável mas mais aconchegante. o aperto é feito de dois.
foto de lonely pierot
fico à tua espera. as minhas mãos vazias ficam à espera que as venhas encher outra vez. que venhas aquecer as tuas nas minhas. enrolar as tuas pernas nas minhas, na cama fria. dar-me um beijo de bom dia antes de saíres. fico à tua espera.
ten fingers. ten toes. all mine.
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one of those moments
15 Janeiro 2010
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I’m having one of those moments, right now. One of those moments when everything is so perfect and so wonderful that you almost feel sad because nothing can ever be this good again.
~ Rory Gilmore
Gilmore Girls,
Star-crossed lovers and other strangers
nó na garganta
14 Janeiro 2010
[queria falar sobre o Haiti, mas faltam-me as palavras. as placas tectónicas agitam-se e a desgraça cai sobre os já desgraçados. não há lugar para falar de justiça nas catástrofes naturais, não é mais injusto aqui ou ali. as imagens custam. a impotência custa ainda mais. resta a esperança de que quem pode faça tudo para ajudar]
new york
14 Janeiro 2010
das ruas grandes e das pequeninas. dos bairros de negócios e dos residenciais. das comidas de todos os cantos do mundo. das livrarias grandes como prédios, andares e andares, quilómetros de livros. de times square ao fim da tarde, a luz do pôr do sol por trás. do metro e das pessoas, tantas pessoas de tantos lugares. do fumo a sair das grades, à noite. dos taxis amarelos. do mar que há em central park.
em new york não penso nos prédios gigantes. no crime. no capitalismo. nos estados unidos. new york é uma cidade do mundo. é feita de todas as cores, de todas as raças, de todos os credos. é feita de imigrantes, de gentes em busca de melhor, do american dream.
“that’s what I like best about new york. everyone is from somewhere else.”



